12.2.10

Carnaval pegando fogo!


Odeio o Carnaval. Com muito prazer, diga-se de passagem.

Para não mentir publicamente, assumo que gostava do Carnaval até uns 18 a 19 anos de idade, quando ir para a cidade de Serra Negra, dividir uma casa alugada de dois quartos e um banheiro com outras quinze pessoas, e beber qualquer marca de cerveja que aparecesse na geladeira, era legal. Se bem que, mesmo nessa época, não tinha muito apreço pelo evento carnavalesco em si, mas mais pelas oportunidades que o mesmo gerava e... ah, deixa para lá.

Hoje, aos quase 26 anos (faltam poucos dias, aliás), sinto-me confortável em ficar longe de toda essa fanfarra de dedinhos em riste. Mas o mais longe possível. Nada de Carnaval na televisão  e se alguém começar a falar desse tipo de coisa perto de mim, uso meu poder Jedi e mudo o tema do papo em questão de segundos. Principalmente quando aparece aquele bisnaga (termo que utilizo para descrever um indivíduo bobo e desinteressante) que logo depois de a escola campeã ter sido anunciada fala, cheio de orgulho, "ah, aqui no coração sempre foi Vai-vai" ou "a Gaviões é linda, nunca me decepciona". Ah, sefudênego! Dois dias atrás tu não tava nem aí se A, B ou C ia ter a maior pontuação do samba enredo ou um recuo perfeito da bateria. Tava mais preocupado em ver uma "vacilada" da Nana Gouvea que eu tô ligado (aliás, sabiam que o nome dela é Sebastiana? Perdeu todo o sex appeal agora, não?).

Qualquer dinheiro gasto com o Carnaval é desperdício. Não estou falando para usar essa verba para salvar as crianças da fome e miséira, ou ajudar as vítimas do Haiti, ou qualquer outra coisa. Que se lasquem os destinos mais nobres. Mas acho que os recursos usados no Carnaval são tão mal gastos (ou mais) do que o utilizado na criação de programas como Teletubbies e outros lances vazios de... de... de... qualquer coisa! Pegar essa grana e atear fogo seria muito melhor, apesar de ambientalmente incorreto. Ou poderiam depositar na minha conta, o que seria um destino deveras nobre, posso garantir.

E uma das coisas que pretendo fazer nesse feriado sem viagem para um recanto "acarnavalado" (valeu rodovia Régis Bittencourt, não tinha pior hora para ficar interditada não?), além de ler, jogar videogame, assistir filmes e escrever uma meia dúzia de três ou quatro posts interessantes (espero...), é ficar na internet lendo meus blogs favoritos (tenham atualizações, por favor!) e xeretando tudo o que estiver disponível por aí.
Recomendo que façam o mesmo.

E qual o motivo de eu ter escrito, exatamente, esse post? Para reclamar. Simples.

Bom feriado!

5 comentários:

Grazy disse...

Procurando uma imagem indicativa de "odeio carnaval" no google, para postar no meu blog, encontrei o seu post sobre a festividade do ano passado - ótima a imagem a daquele dia, inclusive.

Até meus 20 anos, igualmente, também curtia a festa, mas, depois, ao me descobrir utilitarista e um tanto questionadora dos hábitos humanos, e com a proliferação da orgia no carnaval, preferi aproveitar as pequeninas férias com algo que me faça evoluir. Nesse ano, vou aproveitar para ler livros do meu mestrado e fazer chocolate :D

Bom saber que não estou sozinha nessa ;]

Ótimo blog! Favoritado.
Bjão

Joey Salgado disse...

Olá Grazy! O chocolate foi uma das maiores invenções do homem, junto com o pão fatiado e o ar-condicionado. Aproveite-o bem e você nem sentirá o carnaval passar, rs.

Estamos juntos nessa! Carnaval zero é o que eu quero!

Beijo

Thiago Leite disse...

Quando estava passando os desfiles na Globo, eu queria estar vendo filme ou jogando video game, mas minha esposa adora os desfiles (e lá em casa só tem uma TV). E... ela insistiu muito para eu ir ver os desfiles com ela. Bem...

Como eu disse, não me predisponho a ver desfiles, mas vi assim mesmo, não tinha outra coisa para fazer (estava recuperando o olho, não dava para ler). E até que foi legal, desarmei minha birra e vi, apreciei algumas coisas interessantes (especialmente a Unidos da Tijuca, que fez um show de verdade, com mágica e até Batman esquiando num prédio). Foi divertido, confesso. Foi chato em vários momentos (tirei muita onda e chateei Inês... só um pouco...). Mas eu teria pessado (melhor) sem isso.

A pior coisa do Carnaval este ano foi a dificuldade para comprar pão e água... comércio fechado.

Sibele disse...

Entendo sua birra carnavalesca, Joey, mas não tem jeito: o Carnaval é uma festa de enorme apelo popular, e não só no Brasil - é comemorada no mundo inteiro, a exemplo do "Mardi Gras" de New Orleans, nos EUA.

Mais: é uma festa de origens imemoriais, quando os povos primitivos, desarmados do conhecimento sobre a natureza, louvavam deuses para protegê-los principalmente na sua sobrevivência - as colheitas. E promoviam essas festas saudando a fertilidade e comemorando boas safras.

Com o Catolicismo, essas festas primitivas foram, literalmente, enquadradas, submetidas ao calendário religioso da Quaresma. É o exíguo espaço de tempo que se permite ao populacho os excessos tão combatidos pela rígida moral católica.

A maximização midiática fez o resto, e hoje vemos o Carnaval tal como é - para muitos, uma perfeita excrescência.

Mas o povo precisa de circo, além do pão, não?

Seja mais tolerante, seu reclamão! :D

Beijos!

P.S.: Há uma outra versão, bem interessante, sobre as origens do Carnaval, aqui: http://migre.me/kH7Y

Joey Salgado disse...

Puisé Thiago, uma das coisas boas do carnaval é que ele serve para chatear quem gosta de carnaval, rs. Mas não precisei nem me preocupar com isso, ainda bem. Ano que vem, agende uma viagem durante esse feriado, junto com Inês, para um canto "acarnavalado". Será muito mais interessante, pode apostar.

E Sibele, seria muito chato se eu não reclamasse de algo. Gosto de reclamar, rs! Ainda acho que a origem do termo carnaval em "carros navais" é mais próxima da realidade, mas só porque ela é mais legal, rs. Acho uma pena a história da festa ser tão anuviada, que, independente de qual for, realmente é interessante. Entretanto, como disse alguém que não me recordo o nome, "um ato maldoso é o suficiente para condenar uma vida de benfeitorias". O carnaval é, nas suas palavras, uma "perfeita excrescência" e é só isso que enxergo. ;)