6.4.10

Manufaturas do Black Country britânico

Diversas novas bandas com músicos de gerações passadas estão pipocando por aí, para felicidade daqueles que curtem a boa música (como eu!). No Chikenfoot, por exemplo, uma bela reunião entre Sammy Hagar, Michael Antony, ambos do Van Halen, Chad Smith, do Red Hot Chilli Peppers e Joe Satriani (que nunca teve banda, tadinho...), gerou o mais puro creme do rock 'n' roll, em um álbum homônimo que não possui "grandes abismos criativos" [1], mas que vale muito pela diversão que proporciona. Destaco, por exemplo, "Avenida Revolution", faixa de abertura e certamente uma das melhores do álbum.

Mais inovador em sua essência e complexidade musical está o Them Crooked Vultures, composto por Josh Homme, fundador do Queens of the Stone Age, Dave Grohl, frontman do FooFighters e cozinha do Nirvana, e John Paul Jones (o único que não tive que fazer spell checking no Google!), baixista, tecladista, multistrumentista e gênio do Led Zeppelin (Yeah! \o/). Confesso que não gostei muito do som do álbum de lançamento desse supergrupo, nas primeiras cinco ou seis vezes que o ouvi, mas tenho aprendido cada vez mais a curtir o tipo de música que esses caras estão criando (detalhe importante: recomendo ouvir o Them Crooked Vultures em um equipamento de som com bons graves, para notar o modo como John Paul Jones está solto dentro do powertrio. Não vão ouvir no computador, onde tudo parece tocado dentro de um aquário...). Destaco, nesse caso, a faixa "New Fang", terceira do álbum "Crooked Vultures", de longe a minha favorita.

E como poderia ficar melhor?

Talvez, juntando-se Joe Bonamassa, excelente guitarrista que, inclusive, já passou por aqui, com Glenn Hughes, um dos baixistas e vocalistas mais estupendos da história do rock (o cara deixou até o Ritchie Blackmore com medo de perder os holofotes quando entrou para o Deep Purple, é mole? Por isso que o Blackmore chamou o Coverdale para entrar na banda... Descentralização total de atenção, sacaram?), mais o thunderdrummer Jason Bonham, "O Filho do Homem" (putz, se tu não sabe que é o papi dele, sinto muito...) e Derek Sherinian, tecladista de progressivo que já fez parte de gigantes da música, de Zakk Wylde a Dream Theater (confesso que não tinha idéia de quem era esse mano aí até dar uma googlada...). Ditas as credenciais, esse quatro cavalheiros se juntaram e fundaram o Black Country, em uma referência ao bairro industrial inglês que era a quebrada do Hughes e do Bonham na infância. Os caras entraram no estúdio e estão a gravar o álbum de debute que deve ser lançado ainda esse ano ou no começo de 2011, segundo a gringaiada.

Mas tudo isso importa? Logicamente, não.

O que importa é poder experimentar um pouco dessa nova promessa feita de créditos antigos. Os caras deram um sabor do que está por vir em um show do Joe Bonamassa em março de 2010 na Califórnia, o qual, felizmente, um bisnaga [2] teve a oportunidade de filmar com um áudio até que razoável. O primeiro vídeo, "One Last Soul", é de uma composição original da banda (pelo menos, nunca ouvi essa música antes, rs) e que, muito provavelmente, deverá entrar no álbum, apesar de não haverem declarações oficiais quanto a isso (ou seja, só sei que nada sei). Gostei do som, bem pesado, com uma pegada bem rock 'n' roll, bem crú, mais na linha do Chikenfoot e menos na do Them Crooked Vultures, mas com uma verve bem de macho; como diria um amigo meu, um verdadeiro "rock de pau duro". E o Glenn Hughes não perdeu a capacidade vocal, apesar da sua voz não ter mais tanto brilho. E tem um solo de guitarra abissal do Bonamassa e umas viradas guturais do Bonham. Sensacional.

Desconsiderem o discurso mala do Bonamassa no começo, por favor...
(Porque esses caras não podem só tocar e ficar quietos?)

O segundo vídeo é de uma old timer do Deep Purple, "Mistreated", tirada do álbum clássico "Burn" (1973). Gosto bem mais desse segundo vídeo do que do primeiro, mas por conta de uma simples questão de  já conhecer a canção, logicamente. Mas os caras fazem uma execução digna e respeitosa, deixando qualquer fã do "Roxo Escuro" orgulhoso. P#ta som, com todo o estilo que só um orgão Hammond, bem tocado, de fato, pode proporcionar e com uns agudos do Glenn Hughes que nem o Júnior Lima conseguiria fazer, caso visse uma barata subindo pela calça... (Para efeito de comparação, deixo aqui um link para "Mistreated", executada pelo próprio Deep Purple em um verão de 1974, também na Califórnia, época em que tudo eram flores. E cogumelos. E outras plantas. E mais uns lances...)



Agora, resta a expectativa do primeiro rebento sonoro do Black Country.
E que venham muitos outros álbuns e muitas outras bandas boas.

Que o som não pode silenciar.


NOTAS:
[1] Sempre quis usar essa frase, proferida por meu caro irmão, o Duzão, em uma postagem dele sobre o álbum "Warpaint", do Black Crowes. Tô mais tranquilo, agora...
[2] Termo que uso para descrever um indivíduo bobo e desinteressante.

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